Líderes partidários na Câmara pedem negociações e acordo entre bancadas para garantir a governabilidade após as eleições.
Em reunião do colégio de líderes na Câmara dos Deputados, parlamentares afirmaram que, encerradas as eleições, é necessário priorizar a governabilidade do país por meio de negociações entre partidos. Segundo lideranças governistas e oposicionistas, a estratégia passa por formação de coalizões e por uma oposição propositiva.
Pressão pela governabilidade e apoio à renegociação
O vice-líder do PT, deputado Airton Faleiro (PT-PA), afirmou que a ampla vitória do presidente Lula aumenta o peso nas negociações. “O Lula conta, a seu favor, com a possibilidade de a sociedade brasileira continuar mobilizada, dando sustentação ao seu governo. Ao mesmo tempo que o presidente Lula tem a seu favor a capacidade de ser um grande negociador, como ele sempre foi como sindicalista, como ele foi nos governos que ele exerceu”, disse.
Para o vice-líder do governo, deputado Bohn Gass (PT-RS), há espaço para diálogo também com parlamentares de direita. “Esse movimento da extrema-direita é da extrema-direita, mas a direita, que pensa a democracia, isso faz parte do debate político. E nós vamos dialogar”, afirmou. Segundo ele, uma pauta que pode reunir consensos é a proposta de emenda constitucional sobre segurança pública, que busca dar ao governo federal um papel de coordenação entre estados e municípios.
Posição do PL e expectativa sobre pautas específicas
O vice-líder do PL na Câmara, deputado Alberto Fraga (PL-DF), lembrou que a proposta de emenda já foi aprovada pela Câmara, mas pode receber aditivo sobre a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos, o que exigiria nova apreciação legislativa. Fraga defendeu uma oposição “responsável” e afirmou apoio pessoal à reeleição do presidente da Câmara, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), indicação também defendida pelo governo.
“A gente sabe que o PT não tem esses votos todos para poder governar sozinho. Precisa de coalizão, precisa de ter outros partidos juntamente com ele. Eu espero que esses parlamentares que, durante a campanha, mostravam-se claramente contra a esquerda, que não se vendam, que não se deixem corromper por um ministério ou por cargos que interessem a sua vida pública”, declarou Fraga, ao tratar das negociações de apoio.
Defesa de uma oposição propositiva
Em suas redes sociais, o deputado Kim Kataguiri (Missão-SP), único representante do partido Missão na Câmara, também defendeu que a oposição adote postura construtiva. “Não adianta fazer oposição por oposição. O governo Lula também, a contragosto, vai ter que fazer ajuste, porque sabe que ano que vem estoura a bomba no colo dele. Então agora é o momento de construir”, escreveu Kataguiri.
Líderes reafirmaram a necessidade de diálogo entre forças políticas distintas para viabilizar a gestão do próximo período e apontaram temas que poderão ser objeto de negociação parlamentar.
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