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Nacional

Especialistas alertam para riscos ao patrimônio cultural diante das mudanças climáticas e defendem medidas

Redacao 2 meses atrás
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Audiência pública na Comissão de Cultura da Câmara tratou da relação entre preservação do patrimônio cultural e impactos das mudanças climáticas.

07/07/2026 – 20:19 — Especialistas que participaram de audiência pública na Comissão de Cultura da Câmara nesta terça-feira (7) alertaram para a importância da relação entre preservação do patrimônio cultural e mudanças climáticas, apontando riscos a paisagens culturais e a modos de viver em diferentes biomas.

Riscos e territórios

Os debatedores citaram destruição de paisagens culturais no Pantanal, deslizamentos na Mata Atlântica e risco de desertificação na Caatinga, conforme ressaltaram durante o encontro. Segundo os participantes, esses exemplos evidenciam a necessidade de abordagens que salvaguardem territórios e saberes locais.

A audiência também destacou a criação da Carta Brasileira do Patrimônio Cultural e Mudanças Climáticas. O documento, segundo os interlocutores, apresenta o patrimônio não apenas como bem a ser protegido, mas como fonte de conhecimento dinâmico e de tecnologia social para formular soluções que partem do território.

Luana Campos, representante do Conselho Internacional de Monumentos e Sítios – Brasil, afirmou que a elaboração da Carta contou com a contribuição de mais de 300 instituições e lamentou que a relação entre patrimônio e clima ainda não seja clara para a sociedade.

“Nossa cultura nos ajuda a compreender que é possível, a partir do conhecimento tradicional, a partir do conhecimento que vem desses grupos que estão na base, que nos representam, que fazem parte da nossa história, pensar o futuro melhor”, pontuou Luana Campos.

Impactos sociais e necessidade de políticas

O deputado Tarcísio Motta (PSOL-RJ), que solicitou a realização do debate, reforçou que eventos climáticos extremos colocam em risco não apenas o patrimônio material e sítios arqueológicos, mas também acervos de saberes e conhecimentos essenciais para a forma de viver de comunidades locais.

Segundo Tarcísio Motta, cabe à Comissão de Cultura considerar que as sociedades vulneráveis são as mais afetadas pelas mudanças do clima e pensar em mecanismos de prevenção e mitigação. “O colapso ecológico planetário é uma realidade. Nós estamos diante de mudanças climáticas cada vez mais intensas, cada vez mais frequentes e nada indica que o cenário melhorará nos próximos anos ou nas próximas décadas. Temos urgência em encarar esse desafio, mas não podemos ignorar o fato de que o processo da questão do colapso ecológico já é uma realidade entre nós, no Brasil e no planeta Terra”, afirmou o deputado.

Ações do Iphan e integração de políticas

O presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Deyvesson Gusmão, explicou que, além da atuação internacional, o Brasil busca medidas internas de preservação. Ele citou a inserção do patrimônio cultural no Plano Nacional de Proteção e Defesa Civil, em articulação com a Defesa Civil.

“A gente conseguiu inserir e discutir, junto com a Defesa Civil, a inclusão do patrimônio cultural no Plano Nacional de Proteção e Defesa Civil. A gente tem ações de preservação, de mitigação e de adaptação, mas também ações formativas, de capacitação e orientação previstas no Plano”, explicou Deyvesson Gusmão.

Inamara Melo, representante do Ministério do Meio Ambiente, destacou que a integração de um conjunto amplo de políticas é necessária e lembrou dados sobre a incidência de desastres. “Não dá para desenhar nenhuma política pública que não leve em conta este contexto da emergência climática que já enfrentamos no país. Já temos basicamente 84,5% dos municípios brasileiros afetados por desastres climáticos na última década, com muitos danos e prejuízos à sociedade brasileira”, salientou.

Todos os participantes ressaltaram a necessidade de financiamento formal e de adaptações para garantir mitigação dos efeitos climáticos e sustentabilidade das ações de preservação.

Reportagem – Mônica Thaty
Edição – Ana Chalub

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