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Nacional

Especialistas dizem que desertificação no semiárido brasileiro pode ser revertida com tecnologias e políticas públicas

Redacao 4 meses atrás
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Seminário na Câmara em 17/06/2026 – 17:52 reuniu especialistas que defenderam soluções tecnológicas e políticas para reverter a desertificação no semiárido brasileiro.

No dia 17/06/2026, às 17:52, especialistas afirmaram em seminário na Câmara dos Deputados que o processo de desertificação no semiárido brasileiro é reversível por meio de tecnologias, saneamento e ações coordenadas. O evento foi promovido pelo Centro de Estudos e Debates Estratégicos (Cedes), em parceria com a Secretaria de Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento Social do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e com a Frente Parlamentar Ambientalista.

O diretor do Instituto Nacional do Semiárido (Insa), José Etham Barbosa, relatou que o instituto atua há 22 anos com moradores da região. Segundo ele, a instituição desenvolve tecnologias para combater a desertificação associadas à produção de alimentos e ao uso de energias renováveis para melhorar a convivência com a seca.

“A desertificação não é um fato em si, como os desertos naturais, por exemplo. Nós estamos em terras profundas que estão se degradando ao longo do tempo com características de desertificação. Falamos de um problema não só ambiental, mas que afeta a vida, a segurança alimentar e o futuro de milhões de pessoas”, disse Barbosa.

Barbosa informou que a área de risco de desertificação cresceu entre 2000 e 2020 e atinge hoje mais de 170 mil km2, onde vivem cerca de 39 milhões de pessoas. Ele também reconheceu avanços no abastecimento de água nas últimas décadas, mas apontou que o mesmo não ocorreu no saneamento.

O diretor descreveu o funcionamento do sistema Sara, de saneamento e de tratamento de água, inaugurado em 2017. “O grande diferencial do Sara é que ele transforma um problema ambiental em ativo produtivo: enquanto trata o esgoto doméstico, reduz a contaminação ambiental, reaproveita água e nutrientes e fortalece a produção agrícola familiar”, afirmou. Barbosa acrescentou que o Insa testa outro sistema de reúso e saneamento chamado Siriema e que a instituição atua em parceria com a Embrapa e governos estaduais.

Outros projetos

O representante do Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento (IRD) no Brasil, Abdelfetah Siffedine, citou iniciativas no Nordeste, incluindo trabalho com universidades e com a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme). No Ceará, segundo ele, há frentes ligadas à água e à recuperação de terras degradadas.

Siffedine disse que, em áreas recuperadas, modelos de formação de pequenos agricultores duplicaram a biomassa. Com o aumento da biomassa, surgiram ganhos econômicos, como maior produção de mel, e agricultores que passam a replicar esses modelos.

Gustavo Kauark Chianca, representante da agência da ONU para a Alimentação e a Agricultura (FAO) no Brasil, explicou que na região se emprega a hidrologia espacial para estudar o ciclo da água e os recursos hídricos por meio de satélites. Sensores medem o nível dos rios e a qualidade da água.

Os especialistas também destacaram práticas locais, como o uso coletivo da terra conhecido como fundo de pasto e o manejo sustentável da Caatinga por meio de criação extensiva e extrativismo. Essas práticas, disseram, garantem acesso a alimentos e geração de renda com manutenção do bioma.

“Uma das tecnologias importantes é o fundo de pasto na região do semiárido brasileiro, feito por agricultores familiares. É um manejo hoje reconhecido e que garante a segurança alimentar, a sustentabilidade e ajuda a combater a desertificação”, afirmou um dos participantes.

Recursos

O deputado Inácio Arruda (PCdoB-CE), integrante da Comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara, afirmou que o combate à desertificação no Brasil é desenvolvido por governos estaduais com apoio da Embrapa. Ele citou a Embrapa Caprinos e Ovinos, com sede em Sobral (CE), e a Embrapa Semiárido, sediada em Petrolina (PE). Arruda observou que cerca de 11% do território do Ceará está em processo de desertificação.

O deputado ressaltou a importância de recursos orçamentários para viabilizar políticas e programas. “Somos nós que decidimos, no final, se vai ter recurso ou não para que essas políticas sejam executadas. Nós cuidamos do Orçamento, então, estamos buscando examinar onde a gente coloca exatamente os recursos necessários para combater a desertificação no nosso país”, disse ele.

O Brasil participará em agosto da COP 17, a Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD), na Mongólia. A conferência vai tratar de metas de restauração de terras, combate à seca e proteção de pastagens.

O Seminário Internacional de Combate à Desertificação: desafios científicos e tecnológicos para o Semiárido reuniu na Câmara dos Deputados representantes do poder público, pesquisadores, organismos internacionais, universidades, movimentos sociais e especialistas das áreas ambiental, climática, científica e tecnológica.

Da Redação – AC

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