Por Tadeu de Souza
Vice-governador do Amazonas
O Amazonas está crescendo, mas ainda não está prosperando. O Polo Industrial de Manaus registrou R$ 147 bilhões em faturamento até agosto de 2025 – o maior valor em cinco anos. Mas, nas casas do interior e nas periferias da capital, a pergunta continua a mesma: “meu filho vai ter um futuro melhor do que o meu?”
A resposta ainda é dura. Quase um em cada cinco jovens entre 15 e 17 anos está fora da escola, o dobro da média nacional. O analfabetismo ainda espanta, chegando aos 5% dos amazonenses, quase três vezes mais do que em outras grandes capitais do país.
Esses números apenas confirmam o que as famílias já sabem: a educação ainda é o primeiro passo que o Amazonas precisa dar. Sem ela, o aprendizado das novas gerações não se sustenta, e o crescimento econômico segue restrito às ilhas de produtividade da capital.
Nas comunidades ribeirinhas e indígenas, as longas distâncias fluviais, a falta de transporte e de professores interrompem o percurso escolar. Entre as meninas, a evasão cresce com a gravidez precoce e a ausência de oportunidades reais. É uma ferida social que não se cura com discursos. Cura-se com presença e com Estado.
Mas há um caminho que pode reverter esse cenário, especialmente para quem já está na linha de frente da produtividade. Ele passa pela educação técnica; esse é o elo entre o Amazonas que sonha e o que trabalha.
O CETAM e o IFAM oferecem, todos os anos, milhares de vagas gratuitas em cursos profissionalizantes. Quando uma mãe vê o filho formado e empregado, não é apenas uma conquista pessoal – é uma virada silenciosa no destino de uma comunidade. É o que se vê em Parintins, Manacapuru e Tabatinga, onde jovens formados pelo IFAM hoje atuam em energia solar, manutenção e tecnologia da informação.
Ainda assim, é preciso amadurecer esses programas e transformá-los em verdadeiros sistemas de empregabilidade, conectados às demandas da indústria, do comércio e da bioeconomia. A educação técnica é o passaporte para que a juventude do Amazonas participe da nova economia: a da floresta em pé, da bioeconomia, das construções sustentáveis e dos empregos verdes.
Manaus já mostrou o potencial dessa convergência ao tornar-se, em 2024, uma das primeiras capitais brasileiras a aprovar uma lei de incentivos à construção sustentável, em parceria com o Grupo Banco Mundial. A medida abriu novas frentes de trabalho para técnicos e gestores de energia – prova de que educação e economia caminham lado a lado.
Formar jovens para esse tipo de mercado é mais do que gerar renda: é garantir soberania ambiental e produtiva. Não haverá Amazônia preservada sem Amazônia empregada. Por isso, a educação, da alfabetização à formação técnica, precisa ser tratada não como promessa de governo, mas como política de Estado.
É verdade que, ao olharmos para trás, veremos o quanto trabalhamos para chegar até aqui. Mesmo assim, essa realidade é aquém do que podemos ter no nosso Amazonas. E o futuro não virá de fora. Ele é construído, todos os dias, por cada mãe que insiste, por cada jovem que não desiste e por cada liderança.
Artigo originalmente publicado em Gazeta do Povo
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