Praticar tarefas domésticas e preparar alimentos faz parte do acompanhamento oferecido a adolescentes com Transtorno do Espectro Autista (TEA) pelo Centro de Atenção Integral Juventude TEA, em Manaus. A unidade estadual mantém uma casa funcional para as chamadas Atividades de Vida Diária (AVD), além de salas destinadas às terapias.
Atendimento e autonomia
Localizado no bairro São Geraldo, na zona centro-sul da capital, o centro atende 250 adolescentes de 12 a 18 anos. Segundo o Governo do Amazonas, foram realizados mais de 20 mil atendimentos e consultas nos sete meses de funcionamento. A unidade foi inaugurada pelo governador Roberto Cidade em 9 de abril.
O trabalho é realizado por uma equipe multiprofissional e inclui atividades relacionadas à comunicação, à socialização, à confiança e à expressão. As famílias também recebem acolhimento e orientação. De acordo com o diretor-executivo do Juventude TEA, Juliano Botero, o acompanhamento envolve os adolescentes, os profissionais e os responsáveis pelo cuidado, como pais, mães e avós.
Para o diretor, as habilidades desenvolvidas precisam ser consideradas também na rotina fora do espaço clínico. Botero afirmou que a terapia deve ser estendida ao contexto do domicílio e ao convívio diário.
Experiências fora das salas
Uma das atividades realizadas pela unidade foi um show de talentos com a participação de adolescentes, familiares e profissionais. Os participantes cantaram, tocaram instrumentos e se apresentaram diante do público. A iniciativa foi apresentada pelo Governo do Amazonas como uma forma de levar a outros ambientes habilidades trabalhadas no atendimento.
Ádria Luandra, de 12 anos, tocou um instrumento escolhido por ela. A mãe, Adriana dos Santos, relatou que a filha tinha dificuldade para conversar e interagir antes de começar o acompanhamento. Segundo Adriana, a adolescente passou a fazer amizades e a participar mais das atividades.
Flávia Raquel, de 14 anos, cantou durante a apresentação. A mãe, Amanda Costa da Silva, disse que a filha era reservada e passava boa parte do tempo isolada no quarto. Conforme o relato, Flávia passou a interagir mais e a estar mais presente na escola. A adolescente afirmou que começou a falar mais com as pessoas e a sentir menos medo de se expressar, embora tenha ficado receosa de errar no palco.
Asafe, de 14 anos, interpretou Michael Jackson. Para a mãe dele, Ione da Silva, a participação representou mais uma etapa no desenvolvimento do filho. Ela relatou que o adolescente passou a cumprimentar pessoas, abraçar e realizar algumas atividades fora de casa, como ir ao mercado e comprar pão sozinho.
Fonte: Governo do Amazonas.
Foto: Divulgação/Secom-AM








