SEGUNDA-FEIRA, 1º DE JUNHO
ELEIÇÕES 2026
AM sequestrado pela criminalidade. Prova de fogo ao futuro governador
Aos postulantes a governador do Amazonas, os desafios da segurança pública são verdadeiras provas de fogo. Até mesmo a Omar Aziz e David Almeida, o primeiro ex-governador e ex-secretário de segurança; e o segundo, governador interino em 2017. Nos últimos 15, 20 anos, facções criminosas nacionais e transnacionais ocuparam espaços e seguem sequestrando territórios. E no interior do Estado, o cenário é ainda pior: faltam policiais; armamentos; viaturas; por vezes até mesmo combustível para o patrulhamento e atendimento das ocorrências; e as delegacias funcionam, em grande parte, em estruturas decadentes. O Estado fez grandes investimentos nos últimos anos, retomou bases de atuação fluvial para combate ao narcotráfico, mas ainda falta muito para o Estado se impor diante das organizações criminosas.
DEFICIENTE – Para além do combate ao tráfico de drogas e os crimes fomentados pela prática ilícita, o atendimento à população também é falho. Em Manaus, as delegacias, excetuando as especializadas, fecham ao final da tarde. No interior faltam estruturas especializadas no atendimento às mulheres. Dos 61 municípios do interior, apenas 11 têm delegacias para a proteção de crianças e adolescentes.
Atlas da violência retrata realidade alarmante do Estado
Dados divulgados semana passada pelo Atlas da Violência 2026 mostram que apesar da redução no número de casos de homicídios no Amazonas, a incidência é mais de 50% superior à média nacional. Em 2024, segundo o documento produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, o Ipea, e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o Estado registrou taxa de 32,2 assassinatos por cada grupo de 100 mil pessoas – 1.326 vítimas desse tipo de crime -, enquanto que no País, esse indicador foi de 20,1. A alarmante marca coloca o Amazonas como o sexto Estado com a maior taxa de homicídios do Brasil.
Alfredo Nascimento enfim desembarca do governo estadual
Com a troca de comando no Governo do Amazonas, o presidente estadual o PL, Alfredo Nascimento, enfim desembarcou das estruturas do Estado.
Deixam os cargos negociados por Alfredo com o ex-governador Wilson Lima, o irmão do próprio dirigente partidário, Evilázio Nascimento, que estava presidente do Fundo de Previdência do Amazonas, a Amazonprev; e a secretária estadual da Pessoa com Deficiência, Maria Jane Selma Banes Trindade, presidente do PL Mulher estadual. A entrega pública dos cargos, comunicada pelo próprio Alfredo, se deu na sexta-feira (29/5), véspera da chegada do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, que esteve em Manaus no sábado para o lançamento facial das pré-campanhas de Maria do Carmo, ao Governo do Amazonas; e de Alberto Neto, a deputado federal.
INSUSTENTÁVEL – A manutenção dos cargos na gestão Roberto Cidade era insustentável e poderia ter sido resolvida dois meses atrás, quando Wilson renunciou ao cargo junto com o vice Tadeu de Souza. Cidade e o PL de Maria querem o mesmo nas eleições de outubro: comandar o Estado a partir de 2027.
Débora desafia a física e tenta se manter em pé entre duas canoas
A deputada estadual Débora Menezes insiste em se equilibrar em pé entre duas canoas: a do PL e a do Governo do Estado. No encontro do partido com o presidente nacional Valdemar Costa Neto, para oficializar a pré-candidatura de Maria do Carmo ao Governo do Amazonas, mais um exemplo da insistência da deputada, candidata à reeleição, em servir a dois senhores: mesmo sendo chamada a falar ao público que compareceu à quadra da Escola de Samba Unidos do Alvorada, no sábado, Débora disse que não falaria e assim o fez. Entrou muda e saiu calada para não se indispor com o grupo do governador Roberto Cidade, com o qual tenta manter ligação para a campanha eleitoral.
ESPERTEZA – Essa relação com o governo estadual, mesmo contrária aos interesses do PL, que tem candidato próprio nas eleições deste ano, Maria do Carmo, já era vista desde quando Wilson Lima ainda era o governador. Débora esteve presente em evento do União Brasil de Wilson, quando este anunciou pré-chapa de deputados estaduais e federais. Na ocasião, a deputada subiu ao palanque de Wilson, se mantendo “escondida” atrás de um ventilador.
JUSTIÇA 2.0
Tribunal de Justiça do Amazonas regulamenta uso de soluções de IA
O Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) debate, na reunião do Pleno desta terça-feira (2/5), a implantação da política institucional do judiciário amazonense para o uso da Inteligência Artificial (IA), bem como a regulamentação de soluções de IA no dia a dia do judiciário. Em ambos os casos, as ações seguem o que define a resolução do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) nº 615, de março de 2025.
AVANÇOS – Desde o ano passado, quando lançou a primeira ferramenta de Inteligência Artificial, a IA Arandu, que identifica similaridades em processos, o TJAM tem expandido o uso da tecnologia, que vem dando celeridade aos processos. Além de identificar demandas repetitivas, a IA vem auxiliando na elaboração de minutas e decisões, com supervisão humana.
DENÚNCIA
Pacientes cobram do Estado remédio vital para conter avanços de doença
Amazonenses com esclerose múltipla estão há meses sem uso do único medicamento que pode retardar o avanço da doença, o Ocrelizumabe (Ocrevus) . Mesmo com determinação judicial, o Estado não tem mantido a regularidade no fornecimento. A dramática realidade está sendo denunciada pela Associação de Pacientes com Esclerose Múltipla do Amazonas. A entidade recorreu à Defensoria Pública do Estado (DPE-AM), que encaminhou ofício à Secretaria de Saúde para que o fornecimento seja regularizado com urgência, nos casos já determinados pela Justiça. E para os demais, a Defensoria pede que o Estado inclua o Ocrelizumabe na Relação Estadual de Medicamentos Essenciais (Resme).
VIDAS – Para o defensor público Arlindo Gonçalves, coordenador do Núcleo de Defesa da Saúde (Nudesa) da DPE-AM, “a questão financeira não pode significar uma barreira aos pacientes que lutam pela vida”.
AGENDA AMAZÔNIA
Polícia Federal e Ibama investigam contaminação em terras Waimiri
A etnia indígena Waimiri Atroari, no município amazonense de Presidente Figueiredo, identificou a morte de animais, alterações nas águas de rios e igarapés e problemas de saúde na comunidade residente na região. A suspeita é que os problemas sejam decorrentes da contaminação das águas que os abastecem. A nação indígena suspeita de contaminação dos mananciais por metais pesados. Com base nos relatos, o Ministério Público Federal pediu que a Polícia Federal investigue o caso, para saber se os problemas têm relação com atividades minerais na região.
PERÍCIAS – Matéria publicada pelo Portal BNC Amazonas, parceiro da COLUNA DO CRISTO, informa ainda que o MPF solicitou ao Ibama, perícias ambientais nos rios Tiaraju e Alalaú e no igarapé Jacutinga. Os primeiros resultados das diligências devem ser apresentados em até 30 dias. Para mais informações, acesse bncamazonas.com.br.
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PERGUNTAR NÃO OFENDE
Por que o ex-presidente Jair Bolsonaro não classificou as organizações de narcotráfico PCC e CV como terroristas enquanto esteve no poder?
FRASE DO DIA
“Os Estados Unidos já classificaram essas organizações criminosas, mexicanas, venezuelanas, de El Salvador como terroristas e isso não diminuiu o poder delas, inclusive dentro dos EUA”
LINCOLN GAKIYA, PROMOTOR DE JUSTIÇA DE SÃO PAULO
(Sobre a recente decisão do Governo Donald Trump, comemorada pelo bolsonarismo)

